COPA DO MUNDO 2002
Esta foi sem dúvida uma das mais emocionantes memórias que tenho!
Morei por muito tempo no Japão trabalhando como coreógrafa e na ocasião da Copa do Mundo eu trabalhava em Shin Yokohama, perto do estádio que estava sendo construído para ser a final da Copa, evento que, na época, foi realizado na Coreia e no Japão. Durante o tempo de construção, eu e minhas amigas ficávamos falando e até mesmo imaginando como seria esse grande evento porque para nós era só visto pela televisão e sendo narrado pelo Galvão Bueno. Ficávamos inventando histórias de como seria se encontrássemos algum repórter da Globo, se iríamos mandar recado para os nossos familiares como muitos fazem, mas em nenhum instante pensávamos em estar lá dentro do estádio e além do mais, sendo a final Brasil x Alemanha e principalmente o Brasil sendo o pentacampeão.No entanto, antes de chegar até lá, passamos por poucas e boas. Bem, não sabíamos ao certo como funcionava a compra de ingressos, então falaram que iriam começar a vender no dia tal e nós fomos duas horas da madrugada e ficamos esperando na fila até as oito da manhã. Tinha muitas pessoas, mas foi fake news. No mesmo dia, fomos no mesmo horário, e enfim, era o dia certo, mas o que não sabíamos era a forma desorganizada que foi. Quando deu oito horas da manhã, começaram a entrar várias pessoas, uma na frente da outra. Quando abriu a porta para vender, já estava acabando os ingressos.
O que aconteceu foi o seguinte. Tinha uma pessoa na minha frente e ela estava segurando lugar para mais dez pessoas. Então, essas chegaram e entraram e assim consecutivamente aconteceu muitas vezes, saiu até briga, não imaginava que a FIFA era tão desorganizada a ponto de deixar aquela confusão acontecer. Como eu era brasileira, tinha o direito de pegar dois ingressos, então o meu chefe fez um acordo com quem topasse e então teríamos que ir para a fila e pegar os ingressos que ele ia pagar, porque o trato era - ele pagaria pelos dois e um ele daria pra gente e o outro ele venderia para o cliente que frequentava o lugar onde trabalhávamos. Como eram pessoas assíduas, ele queria fazer essa graça e aí todos se dariam bem já que todos tinham vontade de assistir a Copa, uma vez que esta seria um oportunidade única para um japonês - assistir um importante evento como aquele, ainda mais sendo no Japão. O que aconteceu foi que quando estava chegando a minha vez, os ingressos estavam acabando e eu preocupada porque minhas amigas não conseguiriam assistir a final. Eu esqueci de contar que eu já tinha o meu ingresso da final, pois dias antes fiquei sabendo que o Banco do Brasil tinha uma lista VIP, então, fui até lá e usei o nome de um amigo famoso do futebol e consegui o meu, mas depois liguei e disse que tinha feito isto.Como trabalhava como coreógrafa e líder do grupo, muitas pessoas me conheciam e lá no Japão, eu às vezes era até mais famosa que eles e então usei meu prestígio para conseguir o meu ingresso. Bem, voltando na parte em que eu contava e estava na fila, eu não sosseguei e mudei de lugar e foi aí que então a minha amiga com o marido dela me deram um papel AZUL. Aquilo era a senha, que coisa mais desorganizada. Quando peguei aquele papel, logo fui para fila que eu achava que era a certa e quando estava entrando, o segurança me impediu de entrar. Olhei na mão de quem estava na fila e todos estavam segurando um papel VERDE, então sai quase que desistindo e olhando para a cara das minhas amigas bem decepcionadas. Eu olhei pra escada rolante, bem acima, e vi uma outra amiga minha que trabalhava em outro lugar. Ela estava na última fila, exatamente com a porta de blindex fechada. Quando ela me viu, me perguntou o que eu estava fazendo na fila e que era para eu sair porque o segurança iria me tirar dali. Então, eu disse a ela que ficasse na dela porque estava tudo sob controle. Quando ele deu o ok para seguirmos em frente, minhas amigas ficaram de boca aberta porque me viram na fila e não entenderam nada.
No momento em que eu estava indo, entrou atrás de mim uma pessoa que eu não via há muitos anos. Era o marido de uma brasileira que sempre me convidava pra viajar com eles e os filhos quando tínhamos feriados. Ela sabia que eu era sozinha, pois não morava com a minha família no Japão, e por isso, sempre me convidava. Com eles, tive a oportunidade de conhecer muitos lugares maravilhosos.
Bem, esse homem entrou na fila e eu fiquei preocupada com ele.Conversamos sobre os anos que não tivemos contato e quando um dos organizadores passaram na fila distribuindo as folhas para preencher e ao mesmo tempo pegar a senha que era o papel AZUL, no exato momento que ele ia entregar para esse meu amigo, alguém o chamou e ele virou e foi neste momento que meu amigo pegou a folha e este homem acabou não pedindo a senha (o papel AZUL) por estar atendendo quem havia o chamado naquela hora. Me lembro como se fosse hoje. Foi uma fração de segundos. Ufa! Isso é que eu chamo de estar no lugar certo e na hora certa. Ali eu senti que todas aquelas viagens que eles me proporcionaram eu estava pagando naquele momento todo o carinho que tiveram comigo.
Bem, voltando à minha história na fila...foi muito engraçado. Minhas amigas que estavam fora da fila começaram a colocar os passaportes na minha bolsa para que se caso eu tivesse alguma oportunidade a mais, comprasse mais ingressos para elas. Tamanho era o desespero. Consegui pegar cinco folhas que daria para pegar dois ingressos por cada folha e quando estava para entrar, pedi mais uma folha que estava na mão do moço que estava distribuindo. Pensei que ele não iria me dar e ele acabou dando. Pura sorte. Conclusão, fui a única que consegui doze ingressos de 500 US$, o preço pra assistir a final era 300 US$, 500 US$ e 900 US$. Quando entrei na última fila, era a fila de 500 US$. Como era perto do Banco do Brasil, meu chefe foi lá e comprou mais dólares para colocar no envelope para poder comprar os ingressos para a final da Copa do Mundo. Quando consegui comprar os meus, sentei no chão e olhei para os ingressos e pensando não ter conseguido o suficiente, mas quando entreguei nas mãos do meu chefe o envelope com todos os ingressos, fiquei sabendo que duas das meninas tinham conseguido comprar os de 900 US$. Eram os últimos. Uma só entrou porque devido ao calor e à multidão desmaiou quanto estava na fila prestes a entrar e acabou tendo que sair. E como o caso dela foi especial, então deixaram ela comprar os ingressos que restavam. A outra já estava na fila para comprar os últimos ingressos de 900 US$.
Como o primeiro dia era o dia dos brasileiros e o segundo para os alemães, no dia seguinte, fui até lá para comprar mais dez ingressos para completar os que faltavam. Quando cheguei lá, encontrei um cambista italiano que era casado com uma brasileira e aproveitei para perguntar a ele se ele tinha dez ingressos da Alemanha. Ele disse que sim, então telefonei para o meu chefe ele deu ok. Então, ficamos esperando ele chegar com o dinheiro. Neste meio tempo, aproveitamos para ficar conversando e ele me disse que se eu quisesse qualquer ingresso de qualquer evento mundial ele conseguiria. Eventos como: Olimpíadas, Sambódromo, Formula 1, entre outros. Fiquei impressionada com a organização da máfia do câmbio e decepcionada com a desorganização da FIFA.
No final da Copa do Mundo de 2002, eu estava com dois ingressos na mão, e é claro que um eu vendi logo na entrada bem camuflada porque era proibido, poderia até ir presa por esse ato, então vendi bem barato - de 300 US$ por 700 US$. As pessoas estavam vendendo por 1200 US$. Quando falei que o meu eu queria 70 mil ienes, juntou muita gente em cima de mim, então vendi o mais rápido possível e entrei pra assistir o que seria a mais emocionante de todas as minhas aventuras: A FINAL DA COPA DO MUNDO ONDE O BRASIL FOI PENTACAMPEÃO DO MUNDO.
A sensação foi tão louca que me lembro quando um homem do meu lado falou que a emoção era tão grande que nem quando o filho dele tinha nascido ele sentiu tamanha emoção. O estádio todo chorando de emoção, sensação muito louca. Ali todos puderam sentir o verdadeiro sentimento de ser um patriota. Ainda com aquela emoção, sentei e de repente começou a cair chuva de tsuru em forma de origami com papel timbrado da FIFA, então resolvi pegar o saco de lixo que estava vazio, da mão de um organizador, porque tive uma ideia naquele momento, achei que todos no Brasil deveriam experimentar um pouquinho do que eu estava sentindo naquele instante. Aí a ideia de levar para casa e mandar dentro da carta para os meus familiares e amigos. Minha amiga falou que eu parecia uma lixeira carregando aquele saco nas costas, mas eu não estava nem aí.
No dia seguinte, abri o saco e comecei a desdobrar os que estavam amassados e pude ver que tinha uma história ali. As dobraduras eram feitas por crianças das de Yokohama, especialmente para aquele evento, e a minha amiga que me chamou de lixeira foi para o meu quarto me pedir alguns pra ela mandar para o Brasil também. Até cheguei a fazer uma brincadeira com ela dizendo se ele estava querendo aquele lixo? Mas foi só uma brincadeira. Dei a ela os que ela precisava. Outra coisa que estava esquecendo de dizer é que eu peguei o dinheiro do ingresso que tinha vendido e comprei meu primeiro LAPTOP.
Essa foto retrata os momentos após assistirmos os jogos do Brasil com outros países. Quando o Brasil ganhava, nós, então, saíamos na rua gritando, dançando, movimentando a bandeira no ar, vibrando e vibrando cada vez mais pela vitória.
Um fato engraçado é que um dia antes de ir para o Japão, eu passei na 25 de Março em São Paulo e comprei estas bandeiras por um preço bem barato para levar, que vendiam em um só chumaço umas doze.
Quando cheguei lá, só nós tínhamos estas bandeiras de plástico, que davam um lindo efeito.
Esta foto é a nossa preparação para ir assistir a Final da Copa do Mundo. Neste dia, havia alguns repórteres em frente na nossa casa para filmar e saber como um brasileiro se prepara para assistir à Copa. Neste dia, eu e minhas amigas estávamos felizes da vida porque era a nossa primeira vez.
Aqui é o jogo sendo realizado e milhares de pessoas do mundo inteiro assistindo este momento único em nossas vidas. Sempre ouvia falar de Copa do Mundo e achava uma certa futilidade as pessoas gastarem seu tempo falando sobre este assunto, incluindo vocabulários como Bicampeão, Tetracampeão, resultados de placar e até nome de jogadores importantíssimos Mas só quem já presenciou estes momentos, de fato, é que conseguem entender tamanha emoção que sentimos ao ver o próprio país no meio de tantas pessoas sendo visualizado mundialmente e se tornando o único Campeão do Mundo pela quinta vez. Ali o patriotismo fala mais alto.
Esta foto retrata a madrugada depois da Copa do Mundo, onde participamos da festa que foi realizada em Tóquio para os jogadores e que infelizmente nem todas participaram porque muitas foram dormir, algumas não atendiam o telefone, e entre outras coisas. Eu mesma estava voltando para Yokohama quando recebi um telefonema de uma amiga falando que todos os jogadores estavam em um restaurante comemorando a vitória. Fui lá checar e realmente estavam. Como eu era conhecida no lugar, logo me convidaram para entrar. Nesse dia, estávamos eu e a minha amiga Kátia (lado esquerdo). A felicidade era tanta que começamos a ligar para as outras para convidar para a festa, mas a única que atendeu foi a Tica (lado direito). Para a nossa felicidade, participamos desta festa realizada para o jogadores.

















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